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Manifestação das chapas em disputa em relação às questões do GTHA


Prezados/as colegas,


Conforme discutido em nosso grupo, a coordenação do GTHA enviou, no dia 24/03, às 16h40, 5 questões (reproduzidas abaixo) às duas chapas em disputa na eleição pela direção da ANPUH, sugerindo o envio de respostas gravadas em vídeo até, preferencialmente, o dia 28/03. No dia seguinte ao envio, ambos os candidatos à presidência da ANPUH, com seus emails pessoais, confirmaram o recebimento: prof. Aldrin Castellucci (chapa 1: Todas as Vozes, Todos os Sotaques) agradeceu o envio, e afirmou que a chapa envidaria todos os esforços para responder nossas questões, apesar da agenda apertada; prof. Valdei Araújo (chapa 2: Unidade na Diversidade e na Luta) agradeceu a iniciativa e afirmou que responderia em breve. No dia 29/03, às 21h55, prof. Aldrin informa que, apesar de ter redigido as respostas, um problema técnico o impediu de grava-las em vídeo; informa ainda que quando o problema foi resolvido as atividades de campanha, em função do fim próximo do período da campanha eleitoral, o tomaram, e por fim lamenta o não envio do vídeo. No mesmo dia 29/03, às 22h36, prof. Valdei desculpa-se pelo atraso e envia o link com o vídeo-resposta, postado na página da chapa 2 no Facebook, que divulgamos abaixo:


https://www.facebook.com/UnidadeDiversidadeLuta/videos/1425609371164920/


Atenciosamente,

Alex, Dominique e Fabio



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Questões enviadas pelo GTHA às chapas em disputa na eleição para diretoria da ANPUH-Brasil, biênio 2021-2023


O GTHA acompanha com atenção a inédita disputa eleitoral pela direção da ANPUH, o que demonstra o crescimento e a importância da entidade. Diante disso, e considerando (1) a participação efetiva que docentes de História Antiga têm demonstrado de sua fundação até os dias atuais, e (2) que a área de História Antiga foi recentemente alvo de ataques que partiram da própria comunidade de historiadores (o que motivou a Nota sobre o ensino de História Antiga no Brasil, em virtude de manifestações recentes1), o GTHA dirige as seguintes questões aos membros das duas chapas:


1. A reforma da BNCC ensejou uma grande discussão sobre os desafios e as possibilidades do ensino de História nas escolas brasileiras, com a participação efetiva de especialistas das diferentes áreas da historiografia. Como a chapa vê a questão do ensino de História Antiga na Educação Básica brasileira?

2. A História Antiga no Brasil colaborou com uma revisão radical dos fundamentos eurocêntricos da historiografia como um todo, voltada ou não a objetos circunscritos ao território brasileiro contemporâneo. Já em 1960, o professor Eurípides Simões de Paula (personagem central na construção da entidade) alertava para a importância do estudo dos contatos entre o Mediterrâneo antigo e o Extremo Oriente para a compreensão do processo global que teria como um de seus resultados, eventualmente, na colonização do Brasil. A partir dos anos 1980, e acompanhando um movimento global, a crítica ao eurocentrismo se tornou indissociável da pesquisa e ensino da História Antiga no Brasil, o que ensejou o aparecimento das alternativas teóricas, metodológicas e morfológicas visíveis hoje em livros, artigos, dissertações e teses publicados em número crescente pela área, tanto no Brasil quanto no exterior. Diante deste quadro, como a chapa vê o papel da História Antiga na pesquisa, na extensão e no ensino nas universidades brasileiras?

3. Como a chapa entende o papel dos GTs na ANPUH, e o que sugere, em particular, para uma participação mais efetiva dos pesquisadores de História Antiga tanto nas políticas editoriais das revistas da entidade, quanto na organização do Simpósio Nacional?

4. Quais são as propostas da chapa para a ampliação do diálogo entre os vários GTs brasileiros, ao mesmo tempo respeitando suas especificidades e contando com o trabalho acumulado nas áreas específicas?

5. Como a chapa vê a questão da regulamentação dos GTs, posta em discussão recentemente?



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ATUALIZAÇÃO às 15h40, dia 31/03


O prof. Aldrin, por meio de seu email pessoal, enviou as respostas às questões do GTHA por escrito. A coordenação do GTHA entende que cabe incluí-las na íntegra neste mesmo post, além de compartilha-las no grupo de email.



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Respostas da chapa Todas as Vozes, Todos os Sotaques às questões do GTHA Apresentação Caras e Caros colegas, Meu nome é Aldrin Castellucci, sou professor da Universidade do Estado da Bahia e candidato a presidente da Associação Nacional de História pela chapa Todas as Vozes, Todos os Sotaques. Nesse contexto sanitário e político infeliz e que nos afeta a todas e todos, espero que essa mensagem lhes encontre bem, na medida do possível. Entre os dias 5 e 10 de abril de 2021 teremos eleições para a Diretoria Nacional da ANPUH-Brasil e para as editorias e conselhos editoriais da Revista Brasileira de História e da Revista História Hoje. Será um momento único, já que pela primeira vez em 60 anos teremos duas chapas disputando os votos das associadas e dos associados da principal associação profissional e científica da área de História no Brasil. Os GTs exercem um papel capital no âmbito de nossa associação, e a proposta de nossa chapa é a de manter um diálogo horizontal, constante e construtivo com eles, no sentido de fortalecê-los. Temos sido procurados por muitas coordenações de GTs e buscado responder a todas as demandas e questões que nos chegam, seja em forma de reuniões ou respostas textuais, como no presente caso. Com grande satisfação a chapa Todas as Vozes, Todos os Sotaques, aqui representada por mim, acolhe o interesse do GTHA em saber dos nossos posicionamentos em relação ao conjunto de questões formuladas coletivamente, em nome da área de História Antiga, com o objetivo de tornar claros nossos posicionamentos a respeito para a comunidade de antiquistas brasileiros, comunidade essa que, hoje, se encontra estabelecida, atuante e em franca expansão nos domínios do Ensino e da Pesquisa – tendo há muito desenvolvido epistemologias e abordagens que romperam com modelos interpretativos canônicos, eurocêntricos e pouco abertos a abordagens epistemológicas mais críticas e includentes. Uma evidência concreta da força e da potência das pesquisas na área de História Antiga no Brasil pôde ser vista, por exemplo, no volume 40, número 84 da Revista Brasileira de História, publicado no ano de 2020. O escopo de abrangência temática, teórica e epistemológica do dossiê e sua representatividade dos estudos sobre História Antiga no Brasil fica evidenciado pela apresentação dos organizadores do dossiê, quando afirmam que desde os inícios em ambiência acadêmica no Brasil, “a área não parou de se ampliar, se ressignificar e se reinventar.”, tornando-se “parte inseparável da historiografia brasileira” cujos debates, cito, “têm colaborado para pensarmos questões sociais, econômicas e culturais próprias do nosso tempo”, chamando a atenção para a importância de debater “realidades interconectadas”, “evitando o que a escritora nigeriana Chimamanda Adichie chamou de “the dangers of a single story”. É preciso romper com a ideia ainda arraigada nas universidades brasileiras de hierarquização de áreas e domínios do conhecimento histórico. O estudo da Antiguidade é umbilicalmente ligado à própria origem da disciplina História, e por isso, mas, não só, deve integrar os campos de interesses do ensino e da pesquisa no Brasil. Os eventuais ataques à área proferidos por indivíduos isolados da comunidade historiadora não representam nossos princípios como chapa, que são voltados à pluralidade em seu mais amplo sentido. Tomamos conhecimento, por meio de apoiadores da área em nossa chapa, da “Nota sobre o ensino de História Antiga no Brasil, em virtude de manifestações recentes”, e manifestamos, de princípio e por princípios, nossa concordância com ela. E é nessa mesma chave de compreensão que interpretamos, também, o Ensino e a Pesquisa na área de História Medieval, e nós esperamos que isso fique claro nas respostas que oferecemos em nome da nossa chapa. Questões: 1. A reforma da BNCC ensejou uma grande discussão sobre os desafios e as possibilidades do ensino de História nas escolas brasileiras, com a participação efetiva de especialistas das diferentes áreas da historiografia. Como a chapa vê a questão do ensino de História Antiga na Educação Básica brasileira? Resposta: No âmbito da Educação Básica, grosso modo, o ensino de História, como o de outras áreas do conhecimento, não se volta para a formação de especialistas, mas de alunos na faixa etária entre 11 e 17 anos, que estão começando a ter acesso aos conhecimentos da história, das ciências e da geografia, dentro de determinados limites linguísticos, cognitivos e culturais. A História Antiga faz parte de um conjunto significativo de conhecimentos históricos fundamentais nessa etapa da escolarização. Eles podem contribuir para a formação de cidadãs e cidadãos críticos que, a partir dos conhecimentos aprendidos e com a mediação adequada de seus professores, possam vir a atuar no combate às desigualdades estruturais da sociedade brasileira, com vistas à construção de uma sociedade mais plural, mais justa, mais democrática, e que mais inclua do que exclua quem dela participa. De longa data, o estudo da Antiguidade foi ministrado por professores muitas vezes sem formação adequada na área. O que nós percebemos é que, ainda que paulatinamente, isso tem mudado. Nas universidades federais, por exemplo, com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – o REUNI, parte significativa das vagas docentes de História Antiga passaram a ser ocupadas por estudiosos da área, o que qualifica, por desdobramento, docentes do Ensino Fundamental e Médio por eles formados a lidarem de forma mais fundamentada com esses conteúdos em sala de aula, inclusive, estabelecendo interrelações profícuas e críticas com o mundo contemporâneo, tal como sugerido em obras como a de François Hartog, sobre os antigos. Isso coloca, no horizonte, a requalificação curricular dos conteúdos de História Antiga nos livros didáticos de História, ainda pautados em historiografia enaltecedora do Ocidente. Entendemos, conforme os ecos que nos chegam dos debates contemporâneos, que essa requalificação passa por evidenciar as trocas entre diferentes povos, mais do que uma narrativa glorificadora de alguns. Este é um dos lugares carentes da especialidade da pesquisa do GTHA, possibilitando refletir a qualidade do ensino da disciplina que hoje se conhece nas universidades brasileiras. Tudo isso me parece fomentado pelo crescimento da área (com grande número de dissertações e teses defendidas nas duas últimas décadas), pelo GTHA e seus Simpósios Temáticos na ANPUH, por associações similares, como a Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos – a SBEC e por dezenas de grupos de pesquisa e grande número de revistas especializadas na área, que têm contribuído para o crescimento e fortalecimento da História Antiga no Brasil. O conhecimento histórico na formação escolar não deve excluir o conhecimento da Antiguidade, isso significaria alijar conteúdos importantes e constitutivos do nosso próprio presente, da nossa própria cultura, ligados à Antiguidade e ao período Medieval. O que é necessário é problematizar as características do conhecimento histórico presente nos currículos escolares e nos livros didáticos, seu diálogo com a historiografia contemporânea e em que medida responde às necessidades tanto da formação dos alunos da escola básica, quanto do mundo e da sociedade em suas tantas demandas. A abertura espacial e temporal é conditio sine qua non para a compreensão de nós mesmos, e de nossos estudantes, daí entendermos pobre um ensino de história focado somente na ideia de nação, de uma nação desconectada com o mundo, em movimento. Facultar aos estudantes o acesso ao ensino da História em uma perspectiva global, ou mundial, é propiciar-lhes o conhecimento de experiências outras com as deles conectadas, atuando de forma importante no combate à desigualdade em todos os níveis. Como estudiosos atuantes na área gostaríamos que vocês tivessem o nosso compromisso de que podemos levar para todos os fóruns competentes essa discussão, dentro e fora da ANPUH, como no caso do MEC, do CNE, do PNLD etc., criando, mesmo, fóruns específicos para a discussão dessas questões. 2. A História Antiga no Brasil colaborou com uma revisão radical dos fundamentos eurocêntricos da historiografia como um todo, voltada ou não a objetos circunscritos ao território brasileiro contemporâneo. Já em 1960, o professor Eurípides Simões de Paula (personagem central na construção da entidade) alertava para a importância do estudo dos contatos entre o Mediterrâneo antigo e o Extremo Oriente para a compreensão do processo global que teria como um de seus resultados, eventualmente, na colonização do Brasil2. A partir dos anos 1980, e acompanhando um movimento global, a crítica ao eurocentrismo se tornou indissociável da pesquisa e ensino da História Antiga no Brasil, o que ensejou o aparecimento das alternativas teóricas, metodológicas e morfológicas visíveis hoje em livros, artigos, dissertações e teses publicados em número crescente pela área, tanto no Brasil quanto no exterior. Diante deste quadro, como a chapa vê o papel da História Antiga na pesquisa, na extensão e no ensino nas universidades brasileiras? Resposta: A História Antiga, como enunciado anteriormente, não é uma área ou domínio cujos interesses de estudo e pesquisa sejam de monopólio circunscrito a uma região específica do planeta; o seu conhecimento e o seu estudo interessam à formação geral das pessoas, contribuindo, de forma importante, para a formação de uma cidadania consciente, crítica, participativa. A história da Antiguidade no Brasil não só contribuiu para o rompimento de abordagens eurocêntricas em seu bojo; pode-se creditar a ela o protagonismo, mesmo, de diferentes epistemologias em nosso contexto que confrontaram perspectivas únicas, ditas eurocêntricas, em diferentes domínios: históricos, filosóficos e das Letras clássicas, por exemplo. Em ambiência historiográfica, a título de ilustração, a História da África antiga, até pouco tempo descrita por uma perspectiva marcadamente eurocêntrica, vem sendo revista, como evidencia o II volume da História Geral da África. Soube, por colegas da área de História Antiga apoiadores da chapa Todas as Vozes, do considerável número de pesquisas que vem sendo desenvolvidas nos estudos da Antiguidade no Brasil sobre o Norte da África no mundo Antigo. Essas abordagens, per se, apontam não só para o ineditismo dessas temáticas em nosso contexto como, também, para a contribuição epistemológica decolonial dos estudos da área. Seja nos âmbitos da História Antiga, da História Medieval ou da História Moderna, a considerarmos essas denominações de forma ordinária, a experiência histórica europeia não deve ser entendida como régua do mundo, partindo da premissa de que países europeus ou nações entendidas como centrais são portadores de valores universais e civilizacionais superiores, ao passo que as demais e os conhecimentos que produziram e produzem são simples variações miméticas de modelos interpretativos europeus. As percepções eurocêntricas da História do mundo antigo tomam a Europa como criadora e continuadora de valores e princípios ligados à Antiguidade, às ideias de política, democracia, liberdade, e comumente circunscrevem a História Antiga às experiências gregas e romanas e, nesse caso, a momentos específicos das histórias dessas civilizações. O que nós, de outras áreas do conhecimento histórico temos aprendido com vocês é a importância de um olhar crítico para essa ideia eurocêntrica de herança greco-romana, de uma continuidade civilizacional sem rupturas, o que leva não a negar a contribuição das civilizações clássicas para a história do pensamento, mas a percebê-las num outro patamar, que percebe a importância de outros povos e culturas, como da África ou do Oriente Próximo, para o desenvolvimento das ciências e das técnicas, da filosofia, do pensamento racional por exemplo; temos aprendido, também, que a diversidade dos saberes sobre o mundo antigo é muito mais ampla, temporal e espacialmente, o que vai expresso no apoio que recebemos da professora Katia Maria Paim Pozzer, que é assirióloga. Acreditamos, pelo que pudemos ver no dossiê de História Antiga da RBH ao qual nos referimos, que o que tem sido feito no Brasil, além de guardar estreita relação com as pesquisas de ponta mundo à fora, tem também uma certa idiossincrasia, que seria um olhar latino-americano, mais particularmente brasileiro, para os objetos de estudo da Antiguidade. Desse modo, o entendimento da chapa Todas as Vozes, Todos os Sotaques sobre o papel da História Antiga na pesquisa, na extensão e no ensino nas universidades brasileiras é aquele que entende que todo esse lastro temático, teórico-metodológico e epistemológico deve refletir essas preocupações nessas instâncias. Temos por princípio a horizontalização da gestão, dos espaços decisórios e, também, dos espaços de expressão de todos os conhecimentos históricos. Desse modo, todas as grandes áreas de estudo e pesquisa terão, na nossa gestão, espaço e reconhecimento em instâncias como os DIÁLOGOS CONTEMPORÂNEOS, CONFERÊNCIAS e ORGANIZAÇÃO DE DOSSIÊS das revistas da Associação e esse é um compromisso que assumimos. Nossos princípios são plurais e isso não poderia se dar de forma diferente nessas frentes que interessam a todas as áreas. Perguntamos: Por que as áreas de História Antiga e Medieval não devem ter um lugar nos Diálogos Contemporâneos? Como disse, não fazemos hierarquizações em campos, áreas e domínios do conhecimento histórico. Todos os espaços devem ser ocupados por TODAS AS VOZES, TODOS OS SOTAQUES. Como representante do coletivo da CHAPA 1 reafirmo o que dissemos em outra ocasião: os debates sobre História Antiga são estratégicos para a ampliação do repertório sobre as experiências de variados grupos humanos e marcos civilizatórios, uma demanda cara da crítica ao eurocentrismo. Essa disputa de narrativas, entretanto, aponta para o aproveitamento crítico da densa produção historiográfica desenvolvida nas últimas décadas, e não uma política de terra arrasada que não reconhece os esforços que estão sendo feitos em prol da superação de lacunas efetivas. 3. Como a chapa entende o papel dos GTs na ANPUH, e o que sugere, em particular, para uma participação mais efetiva dos pesquisadores de História Antiga tanto nas políticas editoriais das revistas da entidade, quanto na organização do Simpósio Nacional? Resposta: Como disse anteriormente, os GTs exercem um papel capital no âmbito de nossa associação, e a proposta de nossa chapa é a de manter um diálogo horizontal, constante e construtivo com eles, no sentido de fortalecê-los. Nossa ideia é que os GTs tenham uma participação efetiva no Fórum de Editores da ANPUH, iniciativa que pretendemos manter, e participem efetivamente das políticas editoriais das duas revistas da entidade, em amplo sentido, seja por meio da própria construção dessas políticas, seja por meio de sua participação efetiva nas publicações das revistas nos melhores formatos que construiremos, coletivamente. A mesma prática deve se aplicar, por princípio à organização do Simpósio Nacional. Os GTs são estruturas importantíssimas de nossa Associação e, nesse sentido, qualquer política que afete aos interesses maiores da área, em nossa gestão, deverá envolvê-los por princípio. Um compromisso que assumo em nome da chapa Todas as Vozes, Todos os Sotaques, é manter um diálogo constante da direção com os GTs. Dentre as nossas propostas que temos para os GTs, peço que consultem em nosso site, as de número 03, 05, 10 e 14, que contemplam a natureza e o tipo de relação que pretendemos estabelecer. 4. Quais são as propostas da chapa para a ampliação do diálogo entre os vários GTs brasileiros, ao mesmo tempo respeitando suas especificidades e contando com o trabalho acumulado nas áreas específicas? Resposta: Como estabelecido em nosso detalhamento de compromissos e propostas de ações, trabalharemos de forma colegiada, horizontalizada e descentralizada. A gestão será compartilhada por meio da criação de comissões com representantes de seccionais, GTs, redes e outras/os historiadoras/es associadas/os. Manteremos constante diálogo também com graduações e pós-graduações do Brasil através dos Fóruns, não apenas oferecendo escuta, mas incorporando associadas/os que se dispuserem a colaborar com a ANPUH. Queremos que nossa Associação consiga expressar a sua heterogeneidade na produção do conhecimento histórico. Diante disso, estaremos permanentemente mobilizados/as para:

  • Pactuar, em conjunto com as seções estaduais e os GTs, formas de construção de uma gestão transversal e participativa, seja pela criação de espaços específicos de debate e de consulta, seja por meio da constituição de comissões especiais temporárias para atender diferentes pautas internas e externas;

  • Abrir um diálogo com os GTs e com demais modalidades de organização coletiva que existem hoje na Associação para estabelecer formas mais horizontalizadas de gestão, de articulação e de participação permanente desses grupos;

  • Incentivar a criação de redes internacionais de cooperação com os grupos já existentes na ANPUH-Brasil;

  • Refinar o levantamento do perfil dos/as associados/as (quem somos, a quais GTs pertencemos, onde estamos, o que fazemos, o que desejamos, quando sentimos necessidade da presença e manifestação da ANPUH?). Essas ações, e sua integração, nos permitirão fortalecer os GTs e conferir maior relevância a eles, dentro de nossa estrutura organizacional. 5. Como a chapa vê a questão da regulamentação dos GTs, posta em discussão recentemente? Resposta: Coerentes com nossa proposta de gestão horizontalizada, dialógica, democrática e plural, defendemos a necessidade de elaboração de uma proposta de reformulação da regulamentação dos GTs, de modo a atender as prioridades apresentadas por esses espaços colegiados em consonância com princípios fundamentais da ANPUH. O que temos nesse momento são dois projetos acadêmicos e políticos distintos para a direção dos destinos da ANPUH e de suas revistas. Gostaria de convidar a todos e todas a conhecer nossa carta-programa e demais documentos de nossa chapa. Nosso projeto se caracteriza pelo forte compromisso em defesa de nosso ofício e da centralidade do conhecimento histórico. Nosso objetivo é garantir uma gestão horizontalizada, democrática e plural, uma gestão que não exclua ninguém, que não estabeleça hierarquias entre os diferentes campos de pesquisa, enfim, que assegure plenamente a igualdade e o protagonismo de Todas as Vozes e Todos os Sotaques. Temos enfrentamentos conjunturais que afetam a todos, todas e todes igualmente e temos as fragilidades institucionais da Anpuh que precisam ser enfrentadas, com compromisso de ampla discussão de nosso regimento interno ante as novas realidades do profissional de história. Os desafios da nova gestão da Anpuh serão inúmeros, mas temos a certeza de que estamos preparados para enfrentá-los. Queremos fortalecer nossa associação cientificamente e profissionalmente, a partir de uma gestão coletiva, representativa e verdadeiramente plural, estabelecendo diálogos horizontais internamente e ampliando o debate com coletivos e fóruns democráticos externos, comprometidos com a diversidade e com a defesa da educação – em todos os níveis - pública e de qualidade. -----

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